Passei a infância querendo ser passarinho. Nasci menina e desenhista.
Minhas melhores amigas no colégio eram três nipo-brasileiras e....desenhistas, claro!! Éramos siamesas. Líamos o pensamento uma da outra, desenhavamos juntas, trocavamos lápis de cor, estojo, papel de carta, cartas, éramos imbatíveis na criação de ilustrações para professores e colegas e no mais, éramos péssimas, péssimas em: ginástica, matemática, em prestar atenção...hahahah
Eu era tão distraída que minha mãe me chamava de borboleta. Eu cresci só por fora, por dentro continuo uma borboleta delicada e azul. A escola acabou, a faculdade chegou e ao invés de fazer artes caí em....publicidade e marketing.
Imagina o que sofri trabalhando em marketing e publicidade e não na criação mas no atendimento a clientes!ahahahaha
Falando em público (gagejava sempre!!), tinha que vender idéias, que ser agressiva, competitiva, rápida, lidar com planilhas, negociações, barulho, gente...Ufa. 20 anos depois numa agência de publicidade adoeci, fiquei deprimida, tomei remédios e fui embora, pra nunca mais.
Ahhhhhhh, estou há um ano e meio trabalhando em casa, de pantufas, ouvindo óperas, enquanto crio, desenho, pinto e escrevo. Ainda lido com gente, mas gente bacana que ama livros tanto quanto eu, ainda tenho reuniões e prazos mas agora sei o que estou fazendo e acredito no que estou vendendo.
As borboletas continuam crescendo entre os meus cabelos cacheados, minhas idéias malucas ficam bacanas em aquarela ou giz pastel. Agora sei o que vim fazer: vim deixar o mundo mais bonito e colorido e isso é o melhor que poderia desejar a menina-borboleta.
